19 abril 2017

Quatro países têm interesse em usar centro de lançamento de foguete do Brasil

Da Agência Brasil

Estados Unidos, França, Rússia e Israel manifestaram interesse em formalizar parceria com o Brasil para utilização do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no estado do Maranhão. A informação é do ministro da Defesa, Raul Jungmann, que esteve hoje (12) conhecendo as instalações do centro e o programa espacial brasileiro. 


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CLA - Centro de Lançamento de Alcântara, Maranhão

O CLA é a denominação da segunda base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele sedia os testes do Veículo Lançador de Satélites e destina-se a realizar missões de lançamento de satélites. De acordo com o ministro, qualquer acordo com as partes interessadas se dará sempre levando em consideração a soberania do Brasil.

“Na semana passada, um grupo francês esteve visitando o centro de lançamento. Obtive informações de que o CLA está em condições operacionais. Ou seja, se houver algumas demandas, o centro pode lançar foguetes num prazo de uma semana”, disse Jungmann.

O ministro informou que mantém conversas com a direção da Embraer Defesa, a fim de que o conglomerado nacional, que é sócio na Visiona, junto com a Telebrás, também fixe acordos com o CLA.

A Visiona é a empresa que contratou da francesa Thales o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC).

“Vou também procurar o BNDES para que o banco possa apontar formas de fomento para o centro de lançamento. Em uma outra frente conversarei com os responsáveis na Casa Civil da Presidência da República para equacionar as questões de natureza fundiárias”, concluiu.



Lixo espacial preocupa cientistas

Mais de 750 mil pedaços de sucata estão na órbita terrestre, representando um perigo para satélites, foguetes e para a estação espacial ISS. Especialistas discutem em soluções.


Deutsch Welle

Em vastas regiões da órbita terrestre, em áreas que estão entre 800 e mil quilômetros de altitude, grandes quantidades de lixo circundam o planeta. O problema tem aumentado com o passar do tempo – e causa preocupação à comunidade científica.


Infografik Raumschrott POR

Partes de satélites que colidiram uns com os outros, satélites desativados de espionagem, de observação da Terra e de comunicação giram à deriva pelo espaço. Peças de foguetes e até mesmo ferramentas que os astronautas deixaram cair enquanto faziam consertos na Estação Espacial Internacional (ISS) voam descontrolados na órbita terrestre. Especialistas estimam que haja em órbita mais de 750 mil peças de sucata, todas maiores do que um centímetro.

Elas representam um perigo para satélites ativos, para a estação espacial e foguetes. Até mesmo pequenos destroços podem ter o efeito de uma bala. Quando acidentes acontecem, como em 2009, isso pode sair caro. Naquele ano, dois grandes satélites colidiram: o US Iridium 33, que estava ativo, e o satélite inativo russo Russian 2251.

O acidente produziu toneladas de detritos, que repetidamente colidem entre si. Especialistas temem exatamente essa reação em cadeia, a que chamam Síndrome de Kettler. Através dessas colisões, são criadas outras novas partículas, até que tantos detritos estejam flutuando no espaço a ponto de se tornar impossível lançar mais satélites e enviar naves ao espaço.

Os detritos também entram na atmosfera terrestre. Isso ocorre o tempo todo. Até agora, ninguém ficou ferido, pois o risco é muito baixo. Especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA) estimam que, por ano, acontecem cerca de 40 quedas de dejetos espaciais em algum lugar no mundo. Mas esses incidentes só ocorrem com peças grandes ou constituídas de material extremamente resistente ao calor. Caso contrário, elas são incineradas quando entram na atmosfera da Terra.

Cientistas trabalham para encontrar soluções para eliminar o lixo espacial, pois se o lixo continuar a aumentar, pode passar a ser um grande risco para satélites, foguetes ou telescópios espaciais, que custam bilhões de dólares. As ideias incluem a coleta ou eliminação de dejetos espaciais com ajuda de robôs, redes, cordas eletromagnéticas ou raios laser.

A ESA desenvolve, por exemplo, um satélite projetado para limpar o espaço. Ele poderia recolher satélites em desuso com uma rede ou um braço robótico e, em seguida, reenviá-los para a atmosfera, de forma controlada, para que queimem na atmosfera. O e.Deorbit deve começar suas atividades em 2023.


Satélite coletor de lixo espacial da ESA
Satélite coletor de lixo espacial da ESA pode começar atividades em 2023

Outra ideia, que está longe de ser realizada, é atirar no lixo espacial com um laser, a partir do espaço ou da Terra. Isso poderia alterar a trajetória de voo do material, fazendo com que ele caia para ser incinerado na atmosfera.

Já especialistas do projeto americano Space Surveillance Network monitoram peças que têm um diâmetro de mais de dez centímetros – as menores, eles não conseguem enxergar com seus telescópios. Essas sucatas maiores constituem apenas 23 mil das cerca de 750 mil partículas. Caso elas se aproximem da ISS ou de um satélite, um acidente poderia ser evitado a tempo.


Asteroide de grandes proporções passará perto da Terra nesta quarta

Última vez que corpo celeste 'visitou' o planeta foi há 400 anos; segundo a Nasa, não há risco de colisão


O Estado de S.Paulo

Um asteroide de mais de 600 metros de diâmetro passará nesta quarta-feira, 19, perto da Terra, mas não oferecerá nenhum risco aos terráqueos, informou a agência espacial norte-americana Nasa. 


Asteroide de grandes proporções passará perto da Terra nesta quarta
Visita de asteroides são uma oportunidade para estudar corpos celestes | Foto: JPL-Caltech/NASA via The New York Times

"Ainda que não haja nenhuma possibilidade de que o asteroide entre em colisão com o nosso planeta, estará muito perto para um objeto espacial deste tamanho", disse a Nasa em um comunicado.

Denominado 2014-JO25, o asteroide mede aproximadamente 650 metros de diâmetro e passará a 1,8 milhão de quilômetros da Terra, ou seja, cinco vezes a distância entre o planeta e a Lua.

A última vez que o 2014-JO25 visitou a Terra foi há 400 anos e ele não voltará a passar perto do nosso planeta dentro de, pelo menos, 2.600 anos.

O objeto espacial passará perto do planeta após ter se esquivado do Sol e depois continuará seu caminho em direção a Júpiter, antes de voltar ao centro do sistema solar.

Em 2004, Toutatis, um asteroide muito maior - de 4,6 km de comprimento por 2,4 km de largura, com forma de amendoim - passou a 1.549.719 km, ou seja, quatro vezes a distância entre a Terra e a Lua.

A Nasa também estimou que não apresentava nenhum risco para o planeta Terra, pelo menos durante 558 anos, quando voltará a passar perto da Terra, dessa vez a uma distância muito menor.

A próxima visita de um objeto espacial de grandes dimensões não está prevista antes de 2027, quando o asteroide 199-AN10, de 800 metros de diâmetro, se aproximará a cerca de 380.000 km da Terra (a distância Terra/Lua).

A visita de 19 de abril é uma "oportunidade excepcional" para os astrônomos e os aficionados observarem o céu, destacou a Nasa. Sua superfície, duas vezes mais "refletora" que a da Lua, seria visível para um pequeno telescópio durante uma ou duas noites. 


AGÊNCIAS INTERNACIONAIS


05 abril 2017

Telescópio russo vai proteger os céus no Brasil

Esta quarta-feira, 5 de abril, os satélites de comunicação na órbita da Terra terão menos risco de colisão com detritos espaciais, graças à inauguração do novo telescópio russo instalado pela Roscosmos no Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis (MG), para monitorar o lixo espacial.


Sputnik

O projeto é uma parceria entre o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, e a Roscosmos, a agência espacial da Rússia, que financiou o projeto, cujo custo foi de R$10 milhões. O novo telescópio é fruto de um convênio de cooperação científica dentro do acordo dos BRICs, assinado em 2016, e é o primeiro telescópio da Roscosmos no hemisfério sul.

Observatório do Pico dos Dias, Brazópolis, Minas Gerais
Observatório do Pico dos Dias | Ministério da Ciência, Tecnologia Inovações e Comunicações (MCTIC)

A instalação do telescópio faz parte do projeto da Agência Espacial Russa intitulado Panoramic Electro-Opical System for Space Debris Detection (PanEOS), que prevê a construção e operação de uma rede de instalações desse tipo de telescópio na Rússia e em vários outros pontos do planeta para ampliar o mapeamento da órbita terrestre e o monitoramento do lixo espacial.

A agência Sputnik Brasil conversou com o diretor do LNA, Bruno Castilho, que explicou a importância prática e teórica dessa parceria.

"A importância prática para o Brasil é o fato do acordo que já existe, entre a Agência Espacial da Rússia e a Agência Espacial Brasileira, para construção de satélites e utilização pacífica do espaço ser ainda mais reforçado. Quando o Brasil for lançar um satélite novo vai poder ter acesso aos dados do mapa de detritos espaciais feito pela Roscosmos, colocado assim o seu satélite em uma órbita mais segura e protendo um investimento brasileiro. Além disso, os pesquisadores da área de astronomia no Brasil vão poder usar todos os dados obtidos por este telescópio para pesquisarem supernovas, estrelas variáveis, asteroides, bem como para outras atividades científicas, reutilizando assim esses dados e dando mais utilidades para eles", explicou o especialista.

"Um aspecto muito importante desse projeto é o fato de abrir portas para novos projetos de desenvolvimento de tecnologia em parceria. O Brasil e a Rússia são dois países que possuem muitas possibilidades de cooperação, mas têm aproveitado muito pouco por motivos de distanciamento. Existem várias cooperações em andamento, mas de pesquisador para pesquisador. No nível institucional ou de ministérios tem muito ainda a ser feito nessa área de cooperação Brasil-Rússia. Esse projeto está demonstrando que esses dois países têm muito a contribuir e que isso pode ser feito. Em apenas um ano, desde a assinatura do acordo, que foi no dia 7 de abril de 2016, o projeto foi executado e está pronto para operar este mês. É um sucesso de desenvolvimento. Em apenas um ano, o projeto saiu do papel para o funcionamento", destacou o Bruno Castilho.

Segundo o diretor do LNA, o projeto ainda possui um significado especial, pois foi feito no âmbito da cooperação entre os BRICs.

"Existe a importância do projeto em si, bem como a importância de estar dentro desse acordo dos BRICs. O Brasil tem investido nessa cooperação com esses países. São países que têm muito a contribuir um com outro. E esse acordo com a Rússia é um exemplo de sucesso bilateral. A próxima reunião do Grupo de Astronomia dos BRICs será na Índia, e esse projeto será comunicado ao grupo, durante a reunião, como um projeto já concluído", comemorou o interlocutor da agência Sputnik Brasil.


29 março 2017

Cientistas procuram explicação para as misteriosas linhas escuras que aparecem em Marte nas estações quentes

Em setembro de 2015, a Nasa anunciou uma descoberta notável: Marte poderia ter correntes de água salgada que deslizavam pelas encostas do "Planeta Vermelho" durante o verão


BBC Brasil

Tão logo se cogitou que as linhas escuras registradas pelo rover Curiosity em Marte poderiam representar água em estado líquido surgiram especulações sobre a possibilidade de vida microbiana no planeta.


Marte
As linhas escuras registradas na superfície de Marte podem ser avalanches de areia, dizem especialistas da Nasa | NASA/JPL/Universidad de Arizona

Agora, entretanto, especialistas afirmam que as misteriosas linhas negras podem ser, na verdade, avalanches de areia provocadas pelo efeito da luz solar na superfície marciana.

De acordo com texto publicado esta semana pela revista New Scientist, cientistas afirmam que a atmosfera de Marte não é suficientemente úmida para considerar que a formação de linhas pudesse decorrer da condensação de água.

"Esses fenômenos acontecem nas horas mais quentes onde há temperatura mais elevada. Por isso, uma parte do cérebro diz que deveria ser gelo derretendo", disse Sylvain Piqueux, do laboratório da Nasa na Califórnia (EUA) em entrevista à New Scientist. Mas ele mesmo admite que trata-se de algo pouco provável em Marte. "O problema é que é muito difícil gelo derreter em Marte. É mais fácil que o gelo se transforme diretamente em vapor d'água", assinala Piqueux.

As linhas escuras foram observadas em vários lugares do Planeta Vermelho quando as temperaturas estavam no entorno de -23ºC.

Na ausência de uma explicação que envolva água, Frédéric Schmidt, da Universidade do Sul de Paris, na França, propôs, em parceria com outros pesquisadores, um modelo alternativo, segundo informou a New Scientist.

Frédéric Schmidt defende que pode-se tratar de um processo ligado a variações climáticas sazonais.

Para Schmidt, as avalanches de areia poderiam ser causadas pelo Sol. Segundo esse modelo, quando os raios solares tocam a areia, o calor esquenta a superfície enquanto a parte inferior permanece fria. Essa diferença de temperatura provocaria mudança de pressão do gás em torno das partículas de areia. Esse gás subiria, fazendo com que haja deslocamento de areia e solo provocando, assim, deslizamento nas encostas marcianas.

Se essa teoria for comprovada, ou seja, se for rejeitada a hipótese de que as linhas escuras são "água líquida", desaparece a possibilidade de se encontrar organismos vivos em Marte.

Pelo menos, por agora.


Cientistas: asteroides podem se tornar maiores fornecedores de água potável

Os cientistas chegaram a esta conclusão após constatarem que o fornecimento de água a partir da Terra é limitado pelas capacidades dos foguetes-portadores, sendo necessário buscar outras fontes de água.


Sputnik

Após estudos, se tornou claro que os asteroides simples podem ser as melhores fontes de água, capazes de a fornecer a futuras bases espaciais, comunica a Gazeta Daily.


Imagem dum asteroide de pedra e gelo criada por um artista
Imagem de asteróide criada por artista © East News/ Photoshot/REPORTER

Isso não é surpreendente porque já se sabia que quase todos os elementos da tabela periódica existem no espaço: ouro, níquel, cobalto, ferro e outros metais.

É conhecido que quase todos os asteroides são compostos de água congelada, podendo por isso vir a ser uma fonte importante de água para uso humano.



Nave Cassini flagra estranho formato de lua de Saturno

Satélite Pan tem formato comparado a um ravioli ou a um disco voador, enquanto a lua Daphnis provoca ondas nos anéis do gigantesco planeta; notícias servem de alerta contra mistificadores


Revista UFO

Nossos emissários robóticos aos outros mundos do Sistema Solar revelaram, dos anos 60 para cá, maravilhas até então inimagináveis. De imensos cânions em Marte esculpidos pela água, primeira prova de que o planeta vizinho pode ter abrigado vida (e muitos cientistas apontam que esta ainda pode existir por lá) passando por vulcões na lua jupiteriana Io e um oceano sob a capa de gelo de Europa, tornando este o mais forte candidato a abrigar vida alienígena em nossas proximidades. Os gêiseres de Enceladus, lua de Saturno que possui um oceano interno de água líquida onde pode existir vida, e o ciclo do metano em Titã, semelhante ao da água na Terra com chuvas, lagos e rios, também foram revelados por nossas naves não tripuladas.

Infelizmente, alguns irresponsáveis criam sites e canais de vídeos onde aproveitam essas informações, que revolucionaram nosso conhecimento sobre o Sistema Solar, o Universo e sobre nossa própria origem, corrompendo-o com afirmações absurdas e descabidas. Entre eles se encontram Tyler Glockner, do canal Secureteam10, e Scott C. Waring, do site Ufosightingsdaily. Glockner é velho conhecido dos leitores da Revista UFO, e entre suas fraudes encontram-se a invasão alienígena da Turquia em dezembro de 2016, e a "cidade alienígena" na cratera Occator em Ceres. Neste último caso, mesmo depois da nave Dawn da NASA confirmar que as regiões brilhantes dentro da formação eram depósitos de sais misturados com gelo, o farsante não se retratou. Já Waring cometeu o absurdo de chamar uma nuvem protoplanetária na Nebulosa de Orion de "gigantesco UFO", em uma monstruosa demonstração de ignorância, ou muito provavelmente má fé.

Por incrível que pareça, em abril de 2013 publicamos uma matéria sobre a lua Prometheus de Saturno, alertando para seu incomum formato, sob alguns ângulos similar a um disco voador, e mostrando como captura partículas dos anéis de Saturno. Alertamos ainda para a possibilidade de mistificadores publicarem a notícia, afirmando que uma "nave alienígena roubava material do anel de Saturno". 

A lua Pan por vezes se assemelha a um disco voador
A lua Pan por vezes se assemelha a um disco voador | NASA

Pois foi exatamente o que o farsante Waring publicou em junho de 2016, conforme mostramos nos links abaixo. Esses mistificadores zombam da busca do conhecimento que, em tempo tão curto se pensarmos em termos de Universo, nos levou das cavernas à beira do Sistema Solar e além, espalhando suas mentiras que infelizmente são repetidas por crédulos e ingênuos. Este texto se destina a novamente alertar quanto ao mau uso de informações científicas, e o primeiro destaque é para a lua Pan de Saturno, cujo formato já foi comparado ao de um ravioli por alguns, e a um disco voador em outras ocasiões.

LUA PROVOCA ONDAS NOS ANÉIS DE SATURNO

A nave Cassini fez a bela imagem de Pan em 07 de março, a uma distância de 24.572 km da lua, que possui somente 35 quilômetros de extensão. As imagens da Cassini ajudarão os cientistas da NASA a caracterizar o formato e a geologia de Pan. Outra lua ainda mais surpreendente teve suas imagens divulgadas em 14 de fevereiro último, sendo a principal imagem que ilustra este texto. Daphnis tem somente 8 quilômetros de extensão e orbita Saturno na Falha Keeler, um espaço entre os anéis do planeta. 

A diminuta lua Daphnis provoca ondas em um setor dos anéis de Saturno | NASA

Mesmo diminuta, a lua esculpe ondas no anel A, produzindo cristas nas quais os cientistas conseguem examinar o comportamento de suas partículas constituintes. Até mesmo uma trilha de partículas arrancadas pela gravidade de Daphnis é visível na imagem. Infelizmente, sempre existe a possibilidade de algum irresponsável como os mencionados espalhar falsas notícias, como "discos voadores interferem nos anéis de Saturno" ou algo assim, e vale o alerta para se manter atualizado quanto a notícias de astronomia e astronáutica. A Cassini entra na fase final de sua missão em abril, quando iniciará um ciclo de 22 órbitas entre Saturno e seu anel mais interno. A missão terminará com seu mergulho suicida na atmosfera do planeta em 15 de setembro, para evitar qualquer risco de contaminação de Titã ou Enceladus.

27 março 2017

O estudante de 17 anos que corrigiu dados da Nasa

Um adolescente britânico entrou em contato com cientistas da Nasa (agência espacial americana) para apontar um erro em seus dados.


BBC Brasil

O estudante Miles Soloman, de 17 anos, descobriu que sensores de radiação na Estação Espacial Internacional estavam gravando dados inexistentes.

Miles Soloman
Miles Soloman descobriu que sensores de estação espacial gravavam dados falsos                 

O jovem de Sheffield, no norte da Inglaterra, recebeu uma resposta da agência espacial, que, além de agradecer pela correção, o convidou para ajudar a analisar o problema.

"Recebi um monte de planilhas, o que é muito mais interessante do que parece", disse Soloman ao programa World at One, da BBC Radio 4.

A descoberta do estudante ocorreu como parte do projeto TimPix do Instituto de Pesquisa em Escolas (Iris, na sigla em inglês), que dá aos alunos de todo o Reino Unido a oportunidade de trabalhar em dados da estação espacial, procurando anomalias e padrões que possam levar a novas descobertas.

Durante a estadia do astronauta britânico Tim Peake na estação espacial, detectores começaram a registrar os níveis de radiação. "Fui direto para o fundo da lista, para os bits mais baixos de energia que havia", explicou Soloman.

"Estávamos todos discutindo os dados, mas ele de repente se animou em uma das sessões e questionou: 'por que há -1 energia aqui?'", contou o professor de física do estudante, James O'Neill.

O que Soloman tinha acabado de notar era que, quando nada chegava ao detector, uma leitura negativa era gravada.

Mas você não pode obter energia negativa. Então aluno e professor entraram em contato com a Nasa.

"É muito legal", disse o jovem. "Você pode contar para seus amigos: 'acabei de enviar um email à Nasa e eles estão analisando os gráficos que eu fiz'."

Descobriu-se que Soloman verificou algo que ninguém mais tinha notado - incluindo os especialistas da Nasa.

A agência disse que estava ciente do erro, mas ter acreditado que ele estivesse ocorrendo apenas uma ou duas vezes por ano - o estudante avisou que, na verdade, isso acontecia várias vezes ao dia.

O professor Larry Pinksy, da Universidade de Houston, disse à BBC Rádio 4 que seus colegas na Nasa "pensavam que tinham resolvido isso".

"Isso ressalta - acho - um dos valores dos projetos da Iris em todos os campos com grandes dados. Eu tenho certeza de que há coisas interessantes que os alunos podem encontrar, e que os profissionais não têm tempo para fazer."

O professor, que trabalha com a Nasa no monitoramento de radiação, disse que a correção foi "mais apreciada do que considerada algo embaraçoso".

'Inveja e tédio'

Mas o que os amigos de Soloman acham de sua descoberta?

"Eles obviamente pensam que sou um nerd", disse.

"Noto uma mistura de inveja e tédio quando conto os detalhes para eles."

O jovem acrescentou: "Não estou tentando provar que a Nasa está errada. Quero trabalhar com eles - e aprender com eles".

O diretor da Iris, Becky Parker, disse que esse tipo de experiência que leva a "ciência real para a sala de aula" pode atrair mais jovens para a ciência, a tecnologia, a engenharia e a matemática.

"O Iris coloca a verdadeira pesquisa científica nas mãos dos estudantes, independentemente do seu contexto ou do contexto da escola. A experiência os inspira a se tornarem a próxima geração de cientistas."

NASA localiza esfera misteriosa que lança sombra imensa na superfície de Marte (video)

Objeto esférico branco e brilhante pode ser visto através de zoom nas imagens tiradas pela sonda da NASA.


Sputnik

Esta foi uma descoberta intrigante, quando um fotografo registrou a evidência de existência do objeto gigantesco na superfície de Marte, comunica o Mirror Online.


Esfera misteriosa que lança sombra imensa na superfície de Marte
Esfera misteriosa que lança sombra imensa na superfície de Marte © Foto: YouTube/Mars Moon Space Tv/Captura do Ecrã

O canal de YouTube Mars Moon Space TV descobriu um objeto gigante que lança uma sombra na superfície de Marte em fotos tiradas pela sonda da NASA The Mars Reconnaissance Orbiter (MRO).

O objeto esférico foi descoberto acima de uma falésia em uma área que esteve durante longo período por baixo de água. O lago gigantesco já não existe há milhões de anos.



23 março 2017

Brasil desenvolve tecnologia para lançamento de satélites produzidos no país e com foguete próprio

Reuters

O Brasil está desenvolvendo tecnologia para enviar satélites produzidos no país e com seus próprios foguetes até o final da década, afirmaram executivos do setor aeroespacial e autoridades antes do lançamento do primeiro satélite de comunicação e defesa do país. 


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Primeiro satélite 100% brasileiro

O lançamento do satélite produzido na França, o primeiro projeto do tipo liderado pelo setor privado no Brasil, foi originalmente previsto para terça-feira, mas remarcado para a noite desta quinta-feira por causa de protestos em torno do local de decolagem, na Guiana Francesa.

O satélite geoestacionário de 5,8 toneladas vai transmitir Internet em alta velocidade de uma altitude de 36 mil quilômetros para regiões remotas do Brasil e fornecer canais de comunicação segura para membros das Forças Armadas e do governo.

A missão de lançamento ganhou urgência depois das revelações em 2013 de que a agência nacional de segurança dos Estados Unidos NSA tinha espionado a ex-presidente Dilma Rousseff.

"Nós não podemos garantir a soberania do Brasil enquanto nossas comunicações estão sendo transmitidas por satélites de outros países", disse José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). "O Brasil é um país gigantesco e precisamos de satélites brasileiros sobre ele."

O lançamento marca um renovado esforço para expandir a indústria aeronáutica brasileira para o espaço, com a Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, buscando se consolidar como fornecedora nacional.

A subsidiária da Embraer, Visiona, uma joint-venture com a estatal Telebras, foi uma das principais contratadas no projeto do satélite de 1,3 bilhão de reais. A Visiona subcontratou a montagem do satélite para a francesa Thales, que também treinou dezenas de engenheiros brasileiros e contratou a Arianespace para o lançamento.

Apesar da indústria brasileira ter sido responsável por pequena fração do satélite, ela poderia fornecer a maioria dos componentes para uma classe menor de satélite, com peso de cerca de 100 quilos e que orbita a cerca de 1.000 quilômetros, disse o presidente da Visiona, Eduardo Bonini.

O executivo afirmou que um "micro satélite" deste tipo, que a Visiona poderá lançar dentro de dois a três anos, poderá atender missões importantes no Brasil, desde acompanhamento da situação de reservatórios de hidrelétricas e de desmatamento a monitoramento da fronteira de 17.000 quilômetros do país.

Coelho afirmou que pesquisadores do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) também estão desenvolvendo tecnologia proprietária de foguetes que poderão colocar em órbitas baixas micro satélites até 2019.

"A demanda existe", disse Bonini. "É uma questão do governo definir prioridades."

Enquanto a Visiona espera uma definição sobre o próximo satélite do Brasil, Bonini afirmou que a empresa está buscando fontes mais estáveis de receita, como contratos sobre processamento de imagens obtidas por redes de micro satélites. A Visiona registrou vendas de cerca de 8 milhões de reais com este serviço no ano passado, disse o executivo.



09 março 2017

Hoje é o 83° aniversário do primeiro cosmonauta da Terra – Yury Gagarin (video)

No ano de 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin, de apenas 27 anos, se tornou o primeiro homem a viajar no espaço.


Sputnik

Gagarin nasceu no dia 9 de março de 1934, na aldeia de Klushino, que depois passou a ser chamada de Gagarin, no distrito de Smolensk, na parte ocidental da Rússia. Gagarin era o terceiro de uma família com quatro filhos, os seus dois irmãos mais velhos haviam sido deportados para um campo de concentração nazista.


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Yuri Gagarin

Ele se tornou o primeiro homem no espaço quando a nave espacial Vostok-1 com o cosmonauta a bordo foi lançada do centro espacial de Baikonur no dia 12 de abril de 1961 às 06h07 de manhã (horário local).

Antes do voo, um grupo de especialistas tinha escolhido Gagarin de entre todos os candidatos depois de uma série de testes psicológicos e físicos. Gagarin tinha uma personalidade de líder, manifestava determinação, vontade de alcançar objetivos e espírito de competição. Ao mesmo tempo, Gagarin era amigável, educado e de coração aberto. Tinha uma memória excelente e era muito inteligente. A sua altura baixa (tinha 157 centímetros de altura) contribuiu para a sua seleção, pois era uma vantagem devido ao espaço limitado (dois metros de largura) da cabine.




06 março 2017

Sonda da NASA tira fotos de estrutura misteriosa nos anéis de Saturno

Durante sua última aproximação com o planeta, sonda Cassini tirou fotografias de objetos extremamente grandes dentro de um anel exterior de Saturno, informa a NASA.


Sputnik


Segundo astrônomos da NASA, os anéis de Saturno surgiram devido à destruição do "embrião" de outro planeta nos primeiros dias de existência do Sistema Solar. Como estava muito próximo do planeta gigante, ele foi puxado pelas forças de afluência e desmembrado em "migalhas". Os fragmentos mais densos foram "comidos" por Saturno e pelo seu satélite Titã, as partes restantes formaram os anéis.

Objetos no anel F de Saturno
Objetos no anel F de Saturno © NASA. NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

A sonda da NASA Cassini realiza hoje (27) seu décimo terceiro mergulho pelos anéis do planeta gigante, fotografa de perto o anel F a 8,7 mil quilômetros de distância. Ao mesmo tempo, a sonda irá medir a temperatura da superfície de Encélado — lua de Saturno, onde existe possibilidade de existência de vida no oceano sob a camada de gelo do satélite. Além disso, a sonda buscará traços de outro satélite do planeta gigante, Dione, e irá medir a força do campo magnético dentro dos anéis.

Durante o mergulho anterior nos anéis de Saturno, cujas fotos foram recentemente publicadas pela NASA, a Cassini aproximou-se do anel F a 8,7 mil quilômetros de distância e tirou fotos de duas estruturas estranhas que "misturam" pó no anel.

Esses objetos, segundo os cientistas, foram descobertos pela sonda Cassini ainda no ano passado, durante um dos primeiros voos de saída para órbita polar. Todavia, as estruturas não foram batizadas oficialmente, mas astrônomos as chamam de F16QA e F16QB.

Conforme os cientistas, os dois objetos são fragmentos de asteroides ou outros objetos pedregosos de algumas centenas de metros de diâmetro. Objetos semelhantes já teriam penetrado nos anéis de Saturno, no entanto, deixaram-nos rapidamente ou destruíram-se devido à gravidade das luas do planeta gigante, localizadas dentro dos anéis ou perto deles.

Se os F16QA e F16QB conseguirem sobreviver ao encontro com a lua Prometeu, poderão completamente mudar aspecto do anel F, cobrindo-o com desenho complicado de "fluxos" de pó que serão entrelaçados uns aos outros devido à interação gravitacional com esses objetos.

O próximo voo da sonda Cassini aos anéis de Saturno está marcado para o início de março. No âmbito dessa aproximação, a sonda irá medir a concentração de hidrogênio e hélio na atmosfera de Saturno e examinar a composição química das suas camadas altas e tirar fotografias de alta qualidade "noturnas" dos anéis. Espera-se presenciar colisão de meteoritos pequenos com matéria dos anéis. Além disso, a sonda da NASA irá tirar fotos mais detalhadas de Pã, o satélite "regente" de um dos anéis de Saturno, aproximando-se dele a 25 mil quilômetros de distância.

Agência espacial mostra vestígios de enorme inundação em Marte

Fotografia evidencia erosão produzida por inundação há cerca de 3,5 bilhões de anos, em uma cratera de 25 quilômetros de diâmetro


O Estado de S.Paulo

A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou nesta quinta-feira, 2, fotografias em detalhe feitas pela sonda Mars Express dos efeitos de uma grande inundação em Marte, em que é possível ver vários impactos de meteoritos. 



Agência espacial mostra vestígios de enorme inundação em Marte
A agência explicou que é possível observar nas fotografias a erosão produzida por uma enorme inundação | Foto: ESA / DLR / FU Berlim,CC BY-SA 3.0 IGO

"A cena conserva um registro da atividade geológica durante bilhões de anos no planeta vermelho", afirmou a ESA em comunicado.

A agência explicou que é possível observar nas fotografias a erosão produzida por uma enorme inundação, ocorrida há cerca de 3,5 bilhões de anos, em uma cratera de 25 quilômetros de diâmetro.

Na mesma imagem aparecem os escombros intactos produzidos pelo impacto de outros meteoritos, o que sugere que aconteceram depois da inundação.

A ESA indicou que a aparência destes sinais geológicos mostram que o terreno era "rico em água ou gelo".

As imagens foram tomadas em 25 de maio de 2016 pela sonda Mars Express, a primeira missão europeia em Marte, lançada em 2003 com o objetivo de estudar a atmosfera marciana, sua geologia e para buscar vestígios de água. (EFE)



Nasa faz manobra para evitar colisão de sonda com lua de Marte

Agência espacial previu risco de choque com Fobos na próxima semana. Foguete foi acionado para mudar rumo da nave Maven.


Por G1


A sonda Maven, da Nasa, fez, com sucesso, uma manobra para desviar de uma colisão com Fobos, uma das duas luas marcianas. A nave está há dois anos circulando ao redor de Marte, estudando a atmosfera do planeta e sua interação com os ventos solares. 

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Fobos, uma das duas de Marte (Foto: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona) 

Na terça-feira (28) a sonda acionou seu foguete para aumentar a velocidade em 0,4 metros por segundo. Embora seja uma pequena correção, foi o suficiente para evitar que batesse contra o satélite natural.

A Maven tem uma órbita elíptica ao redor de Marte, e sua trajetória tem intersecção com a de Fobos e de outras sondas que circulam em torno do planeta vermelho. Com cerca de uma semana de antecedência, a Nasa percebeu que na segunda-feira (6) a Maven iria chegar a um determinado ponto de sua órbita com apenas 7 segundos de diferença de Fobos -- ou seja, havia uma grande chance de colidirem.

Essa foi a primeira manobra para evitar a colisão da Maven com Fobos. As órbitas dos dois são conhecidas bem o suficiente para que os técnicos da agência espacial americana possam calcular com antecedência um risco de choque, iniciando procedimento para evitar que ele ocorra.

10 fevereiro 2017

Os 3 fenômenos astronômicos que ocorrem simultaneamente entre sexta e sábado

Um eclipse lunar, uma Lua de Neve e a visita de um cometa movimentam o céu esta noite.


BBC

É hora de tirar do armário binóculos e telescópios porque entre a noite desta sexta-feira e a madrugada de sábado três fenômenos astronômicos vão ocorrer quase que simultaneamente: um eclipse lunar parcial, uma Lua de Neve e a passagem do cometa 45P. 

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Cometa 45P
O eclipse lunar ocorre quando a Terra fica entre a Lua e o Sol. Este alinhamento faz com que a sombra da Terra seja projetada sobre a Lua. 

O que poderá ser observado neste fim de semana é conhecido como eclipse lunar penumbral: a Lua cheia vai perder um pouco do seu brilho intenso, como se houvesse um filtro ou véu na frente do disco lunar.

Segundo a Nasa, a agência espacial americana, o eclipse vai poder ser visto esta noite na Europa, África, oeste da Ásia e no leste das Américas do Sul e do Norte.

No Brasil, o fenômeno poderá ser observado de 20h34 até 0h53, pelo horário de Brasília de acordo com a Nasa.

E o que é a Lua de Neve?

Este é o nome dado no hemisfério norte à primeira Lua cheia de fevereiro, época das tempestades de neve.

Entre algumas tribos indígenas da América do Norte, a Lua de Neve também é chamada de Lua da Fome, porque nesta época do ano é difícil caçar e conseguir alimentos.

Poucas horas depois do eclipse, será a vez do cometa 45P passar a cerca de 12 milhões de quilômetros da Terra - a menor distância desde 2011.

Descoberto em 1948, este cometa aparece a cada cinco anos e tem estado visível desde dezembro, de acordo com os astrônomos.

Quem quiser observá-lo esta noite vai notar uma luz tênue se movendo no céu. Se perder a chance, só em 2022...


Museu de Cabo Frio, RJ, recebe evento de observação de eclipse lunar

Evento 'Astronomia no Museu' é às 20h desta sexta-feira (10).Museu de Arte Religiosa e Tradicional fica no Largo de Santo Antônio, Centro.


Do G1 Região dos Lagos

O Museu de Arte Religiosa e Tradicional de Cabo Frio, na Região dos Lagos, recebe nesta sexta-feira (10) o "Astronomia no Museu", com observação do eclipse lunar. 

Convento Nossa Senhora dos Anjos, em Cabo Frio, onde funciona o MART (Foto: Divulgação)
Convento Nossa Senhora dos Anjos, em Cabo Frio, onde funciona o MART (Foto: Divulgação)

O evento é a partir das 20h e tem entrada gratuita. O museu fica no Largo de Santo Antônio, no Centro. 

De acordo com o museu, a observação com telescópio depende das condições de visibilidade e meteorológicas do momento.

O museu funciona de terça a sexta-feira, das 10h a 17h; aos sábados e feriados, o museu funciona de 14h a 18h. O agendamento de visitas mediadas devem ser feitas pelo telefone (22) 2646-7340 ou pelo email mart@museus.gov.br.


31 janeiro 2017

'Astrônomo' russo diz que asteroide vai se chocar com a Terra em fevereiro

Apesar dos "discursos" contrários, a Nasa insiste que o asteroide 2016WF9 não oferece perigo para nosso planeta


João Paulo Martins | Correio Braziliense

Sai ano, entra ano, e as previsões alarmistas e catastróficas sempre surgem nos noticiários. Desta vez, segundo matéria publicada no tabloide inglês Daily Mail, na quinta, dia 26 de janeiro, o auto-proclamado astrônomo russo Dyomin Damir Zakharovich afirma que o asteroide 2016WF9, descoberto pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) em 2016, vai se chocar contra a Terra em fevereiro deste ano, causando o "fim do mundo".

Pixabay
Será que o asteroide 2016WF9, descoberto pela Nasa no ano passado, está em rota de colisão com o planeta Terra?

A grande rocha espacial, que tem cerca de 1 km de diâmetro, deve passar a 51 milhões de km de distância do nosso planeta, conforme divulgação feita, na época, pelos cientistas da Nasa. Porém, como mostra o Daily Mail, teóricos da conspiração e o "astrônomo" russo acreditam que essa informação é mentirosa e que o asteroide está em rota de colisão com a Terra. O suposto choque deve ocorrer no dia 16 de fevereiro, causando um gigantesco tsunami, que levaria à extinção da vida.

"O objeto que chamam de WF9 deixou o 'sistema Nibiru' em outubro, quando Nibiru começou a circular o Sol no sentido horário. Desde então, a Nasa sabe que ele irá se chocar contra a Terra. Mas, não estão contando para ninguém", diz Dyomin Damir Zakharovich em entrevista ao tabloide inglês.

Apesar dos "discursos" contrários, a Nasa insiste que o asteroide, que é escuro e reflete pouca luz em sua superfície, não oferece perigo para nosso planeta. "A trajetória do 2016WF9 é bem conhecida e o objeto não será uma ameaça à Terra pelos próximos milhares de anos", informa a agência em nota à imprensa.

Como se o asteroide não fosse suficiente, os teóricos da conspiração ainda acreditam que o planeta imaginário Nibiru também está em rota de colisão com a Terra. Segundo eles pregam, o suposto astro (que também é chamado de Planeta X) teria sido direcionado para a órbita terrestre por uma força gravitacional e "deverá" nos acertar em outubro deste ano.

Vale lembrar que não existe qualquer comprovação científica da existência de um sistema solar intitulado Nibiru, ou mesmo de um planeta que leva esse nome.

Via Láctea se move ao ser empurrada e puxada ao mesmo tempo

O novo estudo revela o papel de um "vazio" extragaláctico, quase totalmente desprovido de matéria visível e invisível


France Presse


Nossa galáxia se desloca a uma velocidade de mais de dois milhões de km/h, e um dos responsáveis por esse movimento seria um imenso vazio no espaço profundo que a "empurra" - revela um estudo publicado na segunda-feira (30/1) na revista Nature Astronomy.

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Via Láctea vista da Terra

Embora não percebamos, a Terra gira sobre seu eixo a 1.600 km/h, e em volta do Sol a 100.000 km/h. O astro orbita o centro da Via Láctea a 850.000 km/h. E nossa galáxia navega a quase 2,3 milhões de km/h, ou seja, 630 km por segundo.

Há 40 anos, os astrofísicos tentam compreender o que causa o deslocamento da Via Láctea e sua direção.

Nos anos 1980, os astrônomos descobriram que uma região de aglomerados de galáxias situada a cerca de 150 milhões de anos-luz da Terra atraía a Via Láctea sob o efeito da gravidade.

Posteriormente, perceberam que um grupo de mais de duas dúzias de galáxias chamado Concentração Shapley, situado a 600 milhões de anos-luz, exercia o mesmo efeito.

Ambos os fenômenos eram insuficientes, porém, para explicar o movimento da Via Láctea.

O novo estudo revela o papel de um "vazio" extragaláctico, quase totalmente desprovido de matéria visível e invisível.

"Se você cria um vácuo em uma região do universo, os elementos que se encontram na periferia se afastarão, porque eles vão ser atraídos por outras regiões sob o efeito da gravidade", explicou à AFP o engenheiro francês Daniel Pomarede, integrante da equipe internacional de astrofísicos que fez o estudo, dirigida por Yehuda Hoffman, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

"Cartografamos em 3D o fluxo das galáxias através do espaço e descobrimos que a Via Láctea estava se afastando a grande velocidade de uma vasta região muito pouco densa, até então não identificada", que foi chamada de Dipole Repeller, relatou Hoffman.

"Além de ser puxada em direção à conhecida Concentração Shapley, a Via Láctea também está sendo empurrada para longe do recém-descoberto Dipole Repeller", acrescentou.


27 janeiro 2017

O combate aos erros na fabricação de foguetes espaciais

Defeitos de fabricação são identificados em motores de foguetes espaciais russos e empresas fazem amplo recall de produtos. Os testes complementares serão feitos em seis meses; ação deve atrasar pelo menos 8 dos 27 lançamentos programados para acontecer em 2017.


Oleg Egorov | Gazeta Russa

Pela segunda vez neste mês, casos de problemas na fabricação dos motores dos foguetes espaciais foram divulgados na Rússia. O grupo estatal Roscosmos anunciou que ia recolher todos os motores suspeitos de terem defeito para realizar um controle suplementar — e isso poderá retardar em seis meses uma parte dos lançamentos espaciais no país.


Foguete-portador Proton-M no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão Foto:Serguêi Kazak/RIA Nôvosti

O último teste feito nos motores dos foguetes Proton-M (utilizados majoritariamente para transporte de carga até a estação espacial internacional) localizou um defeito, anunciado pelo comerciante ontem (25). Parece que foram usados materiais não adaptados para sua fabricação — não foram encontrados metais preciosos nem material suficientemente resistente ao calor. O grupo Roscosmos, responsável por sua produção, acabou fazendo um recall e reenviando os motores para novos testes.

Ivan Moisseiev, diretor do Instituto de Política Espacial, estima que a ação da empresa foi justificada. “O motor de um foguete funciona a temperaturas que derretem a maioria dos metais, e devem utilizar um sistema de resfriamento bastante complexo”, diz. “Se, como neste caso, os defeitos não são casos isolados, mas compõem uma escolha errada de materiais usados, o caso põe em risco todos os foguetes.”

Outros motores

Não é a primeira vez em que os motores dos foguetes russos apresentam defeitos. Em 1º de dezembro no ano passado, a Rússia perdeu o caminhão espacial Progress MS-04 por causa de problemas com o motor. O motor do foguete Soiuz-U, que se desintegra completamente a 192km de altitude, é fabricado pela mesma empresa que faz os Proton, a usina mecânica de Voronej (UMV).

Uma enquete especializada chegou à conclusão que foi a UMV a responsável pela queda do Progress, seu diretor geral pediu demissão na ocasião do anúncio das conclusões e os motores que compunham os Soiuz-Z foram recolhidos para testes suplementares. “Neste caso, criamos uma comissão para identificar e eliminar as causas do problema, e enquanto elas não desaparecem, nenhum foguete será lançado”, explica Ivan Moisseiev.

Lançamentos retardados

Ontem [no último dia 25], representantes da Roscosmos declararam estar realizando uma “verificação total da qualidade de seus produtos”, principalmente de “parâmetros que não eram checados há décadas”. E o procedimento inclui os motores fabricados pela UMV. Ivan Moisseiev afirma que o tempo estimado para o controle dos motores do Proton é de seis meses, e, enquanto isso, nenhum foguete será lançado.

“Um motor é testado tanto pelas razões de suas falhas, mas também todos os outros pontos fracos são verificados”, nos diz o especialista. “E isso não se faz rapidamente.”

Assim, o próximo lançamento dos Proton não poderá ser feito antes do próximo verão —os foguetes deste tipo deverão compor de 8 dos 27 lançamentos previstos para acontecer em 2017.

A duração dos testes

Ivan Moisseiev sublinha que cada lançamento está estreitamente ligado ao tipo de míssel e à sua carga, ou seja, não é possível substituir os Proton por outros foguetes. Em entrevista à imprensa o representante oficial da Roscosmos, Ígor Burenkov, reconheceu que o grupo sofre perdas financeiras por causa do cancelamento dos lançamentos (comerciais), mas que sua prioridade era de “compreender as causas (das falhas) ainda em terra”. O calendário dos lançamentos deve ser atualizado daqui a algumas semanas.

O controle dos motores usados nos Proton, na UMV, será feito pela associação de pesquisa e produção Energomash. Seu diretor geral, Ígor Arbuzov, informou que a organização tem, entre seus membros, o criador dos motores do Proton, KB Khimautomatiki, e que por isso, a associação conhece profundamente as características técnicas dos motores e pode garantir a eficiência dos testes complementares.



26 janeiro 2017

Telescópio russo que vai monitorar lixo espacial começa a ser instalado no sul de Minas Gerais

Equipamento está sendo colocado no laboratório nacional de Brazópolis.Parceria entre Brasil e Rússia foi assinada em abril do ano passado.


Do G1 Sul de Minas

Técnicos russos começaram a instalar no Laboratório Nacional de Astrofísica, em Brazópolis (MG), o telescópio que vai monitorar o lixo espacial. A instalação do equipamento foi autorizada após um acordo assinado entre Brasil e Rússia em abril do ano passado.


Concepção artística do telescópio que será instalado em Brazópolis, MG (Foto: Arquivo Pan EOS)
Concepção artística do telescópio que será instalado em Brazópolis, MG (Foto: Arquivo Pan EOS)

O telescópio vai detectar resíduos espaciais que venham a cair na atmosfera. Além disso, o equipamento vai ajudar no posicionamento dos satélites ao redor da terra, além de fornecer imagens noturnas de grande parte do Hemisfério Sul e de ajudar na visualização de outros objetos do sistema solar.

O telescópio


O equipamento está sendo instalado através de uma parceria do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e a estatal russa Roscosmos. O objetivo é fazer um mapa de todos os detritos espaciais que estão em órbita da Terra, que são os pedaços de satélites velhos ou de foguetes que foram lançados e que continuam em órbita.

Com o mapa, também será possível monitorar o caminho dos satélites. Caso algum saia da órbita para entrar na Terra, é possível prever onde o objeto vai cair e acompanhar os pedaços maiores, evitando algum acidente grave.

O projeto russo começou há cerca de dois anos. O primeiro equipamento foi instalado nas montanhas Altai, na Rússia, e já está em operação. Os dois equipamentos vão ficar em posições afastadas em relação ao outro e vão fotografar o céu, fazendo um mapeamento de toda a área. O grupo de astrônomos brasileiros vai fazer o gerenciamento dos dados e repassar para a agência russa.

Este será o único equipamento deste tipo instalado no Brasil, e justamente por isso, a contrapartida do projeto é que os astrônomos brasileiros vão poder usar os dados para outras pesquisas que ainda não são possíveis no Brasil, como rastrear asteroides e cometas.


Astrônomos estudam composição atmosférica de exoplaneta parecido com Vênus e Terra

Planetólogos norte-americanos conseguiram estudar a composição química da atmosfera de um dos sósias mais próximos da Terra e de Vênus – o planeta GJ1132b da constelação de Vela. Os pesquisadores informaram que há água e metano, diz o artigo publicado no site Astrophysical Journal.


Sputnik

"Comprovamos que existe no espaço um planeta com tamanho igual ao da Terra e atmosfera densa e estável. Esse é o primeiro passo rumo à investigação sobre a possibilidade de existência de vida extraterrestre em exoplanetas", escreve no artigo John Southworth, planetólogo da Universidade de Keele (Grã-Bretanha).


Exoplaneta GJ 1132b
Exoplaneta GJ1132b © Foto: Youtube / Massachusetts Institute of Technology (MIT)

O planeta GJ1132b é o mais próximo satélite de Vênus, localizado fora do Sistema Solar. Ele foi descoberto pelo famoso planetólogo David Charbonneau em meados de 2015, que, através do telescópio MEarth, analisou planetas anões vermelhos pálidos na tentativa de encontrar planetas nos arredores dos mesmos.

Astros deste tipo podem ser encontrados com mais frequência a grandes distâncias do Sol, aumentando assim a probabilidade de haver vida extraterrestre neles. A zona habitável, onde a água pode assumir condição líquida, está localizada muito perto dos planetas anões vermelhos, simplificando a procura por novos planetas.

Segundo Southworth, nem todos os planetas da "zona habitável" são parecidos com a Terra — é muito provável que exoplanetas, localizados na beirada, possuam atmosfera superquente com altos teores de ácido sulfúrico e gás carbônico, parecendo-se assim com Vênus. Mas tudo isso são apenas suposições. Para esclarecimento das teorias, faz-se necessário entender a atmosfera do planeta em questão.

A equipe de planetólogos de Southworth deu o primeiro passo em direção à resolução desta incógnita ao receber dados detalhados sobre espessura e composição atmosféricas do planeta GJ1132b, fornecidos pelos telescópios do Observatório Europeu do Sul, localizado no Chile.

Para estudar a atmosfera da "segunda Vênus", os cientistas usaram os raios que ultrapassam a atmosfera do GJ1132b e atingem a Terra, trazendo traços de sua composição química. Assim, os cientistas recolheram dados suficientes sobre interação de luz com moléculas de ar desse planeta.

Os planetólogos responsáveis pela descoberta da "segunda Vênus" subestimaram seu tamanho — seu raio é 1,4 vez maior do que o da Terra e sua massa supera em 1,6 quando comparada com a do nosso planeta e a de Vênus. A atmosfera, observada em ondas diferentes de comprimento, é bastante densa e forte, estendendo-se cerca de 600 km sobre a superfície do planeta.

Esses tamanhos, de acordo com os cientistas, mostram que a atmosfera do GJ1132b contém, em grande quantidade, água e metano, distinguindo-o claramente do planeta Vênus do nosso Sistema Solar. Além disso, sua superfície, considerando baixas densidades, deve ser coberta por camada de água grande e seu núcleo deve ser composto por rochas de silício (mas esta última é pouco provável). A temperatura na superfície do planeta é bem mais alta, se comparada à proposta pelo descobridor do planeta David Charbonneau, podendo alcançar 360º Celsius.

Levando em consideração a descoberta de oxigênio no GJ1132b em agosto de 2016, torna-se difícil considerá-lo análogo de Vênus ou da Terra em altas temperaturas.

Segundo os pesquisadores, ainda é impossível receber dados mais concretos sobre a composição de atmosfera e imagem do planeta GJ1132b, pois não há telescópios e espectrógrafos capazes de realizar tal função. Entretanto, os cientistas sugeriram que o telescópio espacial James Webb, que a NASA planeja lançar em 2018, vá ser capaz de examinar atmosfera do GJ1132b e de outros planetas vizinhos.



20 janeiro 2017

Rússia desenvolve foguete portador reutilizável

Engenheiros do Centro Estatal de Foguetes V.P. Makeev, na cidade de Miass, distrito de Chelyabinsk, definiram o cronograma para desenvolvimento do foguete portador de um estágio chamado Korona.


Sputnik

Eis o que referem as teses das leituras acadêmicas sobre cosmonáutica que vão decorrer em Moscou. 


Projeto do foguete portador reutilizável Korona da produção russa
Projeto do foguete portador reutilizável Korona © Foto: LightLinAl

Segundo o texto, no âmbito das pesquisas técnicas e econômicas foi elaborado um "plano eficiente para o desenvolvimento" do foguete portador e analisadas as perspectivas para a sua criação e utilização.

Foi destacado que o polímero reforçado de fibra de carbono (PRFC) será o principal material de construção. O foguete de combustível líquido de oxigênio e hidrogênio poderá levar ao espaço até sete toneladas da carga útil.

Está previsto que o tempo necessário para preparar o foguete para lançamento será reduzido até um dia.

O foguete portador Korona poderá ser usado em cosmonáutica tripulada para construção de módulos orbitais e para suprir cargas até a Estação Espacial Internacional (EEI).

O desenvolvimento do Korona, cujos trabalhos se realizaram entre 1992 e 2012, tinha sido suspenso por falta de verba.


NASA publica vídeo de pouso da New Horizons na superfície de Plutão (video)

É a primeira vez que a NASA publica um vídeo em cores que mostra a aproximação da sonda New Horizons a Plutão.


Sputnik

O vídeo foi montado a partir de mais de 100 fotos de alta qualidade feitas pela sonda em 2015.


Plutão, foto divulgada em 13 de julho pela NASA
Plutão © AFP 2016/ HO / NASA / AFP

Nesse momento, o aparelho conseguiu se aproximar do planeta até à distância mínima – 12,5 mil quilômetros. A quantidade de fotos foi suficiente para montar o vídeo da "aterrissagem" do aparelho.

Em 2015 a NASA publicou um vídeo idêntico onde foram utilizadas fotos em preto e branco.




18 janeiro 2017

Estação Espacial lança satélite construído por estudantes brasileiros

A Estação Espacial Internacional (EEI) lançou na segunda-feira um satélite desenvolvido por estudantes de uma escola pública de ensino fundamental em Ubatuba (SP). Com nove centímetros de diâmetro, 13 de altura e pesando 700 gramas, projeto do Tancredo-1 surpreendeu cientistas americanos e japoneses. 


Sputnik

O projeto, desenvolvido pelos alunos da Escola Municipal Presidente Tancredo de Almeida Neves, ficará na órbita da Terra a 400 quilômetros de altitude e vai servir de ferramenta de pesquisa para estudar a formação de bolhas de plasma na atmosfera, fenômeno que interfere no funcionamento dos sinais de satélites e de antenas parabólicas em países próximos à Linha do Equador. No Brasil, o projeto recebeu apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 

Alunos e professores envolvidos no projeto do satélite Tancredo 1
Alunos e professores envolvidos no projeto UbatubaSat | Divulgação

A Sputnik Brasil conversou com Cândido Moura, professor responsável pela coordenação do projeto desde que ele começou em 2010. 

Moura conta que a ideia de construção do satélite começou a partir da leitura de uma pequena nota em uma revista científica que informava que uma empresa americana estava vendendo kits de satélites e serviço de lançamento. A empresa é uma das muitas companhias americanas que estão desenvolvendo foguetes para explorar o turismo espacial. Eles foram contatados pelos professores brasileiros que então iniciaram com os alunos os trabalhos de pesquisa para o projeto. 

Em 2013 já tinham o satélite pronto para ser lançado, mas o foguete americano ainda não estava concluído. A equipe começou então a procurar outras alternativas de lançamento e acabou ganhando um voo da Agência Espacial Brasileira (AEB), que criara um programa para incentivar as universidades brasileiras a construir esse tipo de satélite. Essa concepção foi desenvolvida por dois professores americanos no final dos anos 90 para servir de ferramenta pedagógica nas universidades. Trinta ao redor do mundo já construíram esse tipo de satélite, que levam cargas úteis para experimentos científicos no espaço.

Moura conta que a mudança da base de lançamento obrigou a mudanças. 

"Foi preciso redesenhar todo o satélite porque o lançamento seria via Estação Espacial Internacional, em que há uma série de normas de segurança muito mais rígidas do que num foguete comum. O processo de lançamento acontece em várias etapas. Primeiro o foguete saiu da base no Japão e foi até a Estação Internacional em um voo de cinco minutos. A acoplagem do foguete à estação, porém, leva três dias. Só depois o satélite foi ejetado no espaço. O Tancredo-1 ficará quatro meses em órbita", diz o professor. 

O coordenador lembra um fato pitoresco quando da apresentação do projeto do UbatubaSat no Japão. 

"Quando tinham 14 anos de idade, (os alunos) foram ao Japão participar de um congresso de cientistas da área espacial que acontece a cada dois anos. Eles escreveram um artigo científico e o submeteram ao Congresso que o aceitou. A Bruna, que apresentou o paper, colocou uma foto dela com dez anos nos slides de apresentação, e disse: 'Quando eu iniciei no projeto, eu era ainda muito jovem'", recorda o coordenado.

Para Moura, o aluno de escola pública no Brasil é muito desvalorizado, as pessoas não acreditam nele.

"A gente provou para o Brasil e o mundo que essas pessoas, que não têm merecido muita fé, podem fazer coisas surpreendentes. É só dar oportunidade. É lógico que dar orientação, treinamento, como nós professores também fomos treinados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para fazer isso. A gente não teve nenhum tipo de dificuldade nessa área", diz o professor. 

Segundo o coordenador, a escola trabalha com uma faixa de 60 alunos por ano, e o UbatubaSat é a cereja dentro do bolo. 

"O aluno faz vários cursos de eletrônica, passa por uma série de treinamentos para poder construir algo que está no espaço. Esse próprio paper que eles escreveram foi um subprojeto dentro do projeto, pois eles aprenderam a escrever um artigo científico. É sempre a coisa real de botar a mão na massa e fazer e não ouvir falar que alguém fez. A escola tem que ter muito essa vertente, de preparação para a vida", conclui Moura.


Astrônomos revelam misteriosa estrela cujo comportamento não pode ser explicado

A lista de estrelas misteriosas que perderam o brilho por razão desconhecida foi ampliada com a descoberta do corpo celeste FO na constelação do Aquário. Ambos os componentes desta estrela dupla perderam o brilho duas vezes nos últimos anos, diz-se no artigo publicado pelo Astrophysical Journal. 


Sputnik

"Quando esta estrela ‘saiu da sombra' do Sol e nós conseguimos reiniciar as observações, ficamos chocados com o fato de ela ser sete vezes mais opaca que em noutras épocas de pesquisa. A extinção de uma estrela quer dizer que a anã branca deixou de roubar matéria da sua vizinha e até hoje não se sabe por quê. Embora a FO do Aquário tenha começado a ganhar brilho de novo, este processo levou demasiado tempo", afirma Colin Littlefield da Universidade de Notre Dame (EUA). 

Pessoas observam estrelas. Foto do arquivo
© AFP 2016/ PHILIPPE HUGUEN

A estrela FO do Aquário pertence a um raro tipo de estrelas duplas, as chamadas estrelas duplas polares. De costume, eles representam uma grande anã branca e uma estrela "normal" menor que circulam muito perto uma da outra. Graças a isso, uma parte das camadas externas da estrela normal fica na "zona de influência" da anã branca, que atrai e rouba sua matéria. 

Tal processo aumenta o brilho do sistema e o faz variar entre certos limites, à medida que a anã branca "digere" o hidrogênio roubado e o incendia na sua própria superfície. Os vestígios disso podem ser observados nos tufos de raios X que o hidrogênio provoca ao cair na superfície da "estrela-vampiro".

A FO do Aquário é a estrela deste tipo mais próxima da Terra, já que fica apenas a 500 anos-luz de nós. Em 2014, quando o telescópio Kepler começou a funcionar no âmbito da missão K2, ele estudou a parte da constelação do Aquário onde se situa a FO. Isto, pela primeira vez na história, permitiu que os cientistas avaliassem sua luminosidade e conhecessem seus parâmetros astrofísicos.

Passados dois anos, quando a estrela "saiu da sombra" do Sol, os cientistas decidiram verificar os resultados da pesquisa efetuada pelo Kepler. Mas foram pegos de surpresa: o brilho da FO tinha diminuído em mais de dois valores estelares durante este período, reduzindo-se em 7 vezes. Os astrônomos nunca haviam observado algo parecido ao estudar os corpos celestes duplos. 

Mas não foi apenas o brilho que mudou. A estrela começou a "piscar", reduzindo e aumentando sua luminosidade 50% cada 22 e 11 minutos, variando estes ciclos cada 2 horas. Segundo acreditam os cientistas, tais flutuações de brilho têm a ver com a velocidade rápida com a qual a anã branca circula a estrela "comum".

Por enquanto, os cientistas não conseguiram entender o porquê da diminuição do brilho. Eles também não podem explicar por que a anã branca suspendeu seu "almoço" e voltou à "dieta comum" com grandes atrasos. Littlefield e seus colegas acreditam que a causa pode ser a enorme mancha na superfície da metade "normal" da FO do Aquário que, por acaso, fica no local onde a anã branca "rouba" a matéria.

O forte campo magnético na área da mancha teria atrasado o processo de transferência do hidrogênio e feito diminuir o brilho do sistema. 

Por outro lado, isto não explica os mais lentos ritmos de restauração do brilho celeste. É por isso que a estrela passou a fazer parte da categoria especial de corpos celestes cujo comportamento não pode ser explicado pela ciência contemporânea, que também engloba a "estrela dos extraterrestres" KIC 8462852 e outros.